Podcast Neurose digital
Neurose digital é um podcast de Psicanálise, feito por um psicanalista, para investigar os impactos no psiquismo das novas tecnologias.
O que acontece quando o inconsciente encontra os algoritmos? Neurose Digital é um podcast-experimento vinculado a uma pesquisa de pós-doutorado, dedicado à investigação dos desafios colocados à psicanálise na era das inteligências artificiais. Conduzido pelo psicanalista Guilherme Oliveira (USP), o podcast explora como o digital incide sobre o desejo, a angústia e as formas contemporâneas de sofrimento psíquico.
A investigação desenvolvida no podcast também orienta a escuta clínica, no sentido de ajudar a pensar as formas atuais da angústia.
Link de acesso: Neurose Digital
No primeiro episódio, dedicado às chamadas “psicoses por chatbot”, investigou-se a emergência de crises psicóticas associadas ao uso excessivo de sistemas conversacionais. A análise evidenciou como tais dispositivos podem reforçar delírios por meio da intensificação do viés de confirmação, além de sustentar a ilusão de um Outro consistente e sem falta — um “Outro perfeito”, que responde sempre, sem falhas.
Tal configuração levanta a hipótese de uma forma inédita de laço, na qual a mediação algorítmica pode substituir, em certos casos, a alteridade humana, colocando em risco a dimensão ética da escuta.
O que chamamos de “inteligência” nas máquinas é realmente inteligência? Neste episódio, investigamos a visão de Stuart Russell, um dos principais teóricos da IA, para analiser os limites e perigos de equiparar algoritmos à mente humana.
Nesta investigação, você vai descobrir:
- Como surgiu a IA? De Turing ao Deep Learning, a promessa (e o perigo) de máquinas que “imitam” a inteligência humana.
- A definição frágil de “inteligência” no campo digital: Porque reduzir cognição a “percepção + ação” é um erro conceitual (e ideológico).
- O sonho perigoso das “máquinas desejáveis”: A utopia ingênua de Russell sobre IAs “altruístas” e porque ela ignora como o desejo humano é manipulado por algoritmos.
A distopia em curso: Como redes sociais e IA já estão criando crises políticas, vícios digitais e novas formas de controle – e por que isso não é um bug, mas um feature.
Por que isso importa?
Se a IA é apenas uma ferramenta, por que insistimos em tratá-la como um oráculo? Este episódio trabalha os mitos por trás da “revolução” tecnológica e questiona: quem ganha quando acreditamos que máquinas podem pensar?
O que separa uma inteligência artificial de um ser vivo? Enquanto as máquinas processam dados, nós resistimos, desejamos e nos esforçamos para existir. Neste episódio, mergulhamos na filosofia de Spinoza para entender por que a vida não é um algoritmo — e porque as IAs, por mais avançadas que sejam, nunca terão um corpo que sente, um desejo que persiste ou uma história para contar.
Neste episódio, você vai descobrir:
- O que é vida para Spinoza? O conceito de conatus – o impulso que nos faz resistir e perseverar – e porque ele é incompatível com a lógica das máquinas.
- Por que uma bactéria é mais “inteligente” que um supercomputador? A diferença entre processar dados e querer existir.
- A falha das IAs em simular a vida: Por que elas não têm afetos, encontros ou uma essência que luta para permanecer?
O que a psicanálise pode aprender com Spinoza? Como o desejo humano desafia a ficção de máquinas conscientes.
Por que ouvir?
Se você já se perguntou se um dia a IA poderá ter consciência, este episódio é uma análise contra a fantasia tecnoutópica. Spinoza nos lembra: vida não é código, é resistência – e é isso que nos torna insubstituíveis.
Será que vivemos em uma realidade cada vez mais envolta pelo digital, moldada por uma nova “gramática” que redefine o mundo? Neste episódio, mergulhamos nas reflexões do filósofo Luciano Floridi, que se contrapõe à visão tradicional da Inteligência Artificial: para ele, a IA não busca replicar a inteligência humana, mas substituí-la, dissociando ação de compreensão.
Enquanto Stuart Russell defende que máquinas podem ser inteligentes, Floridi argumenta que o sucesso da IA depende justamente de automatizar tarefas sem precisar de inteligência – como uma lava-louças que opera em um ambiente simplificado, sem entender o que faz. Como isso se dá? O envelopamento digital da realidade, onde dados se tornam o novo “alfabeto” que reorganiza o mundo.
Explore conosco:
🔹 Como o digital “copia e cola” a realidade, criando uma infosfera que sustenta a IA.
🔹 Porque a IA é uma agência sintética, não uma mente.
🔹 O risco de nos tornarmos meros dados alimentando máquinas – e como resistir.
Uma discussão sobre tecnologia, autonomia e o que nos resta de humano.
O desejo humano é um enigma — uma força que nos impulsiona, nos falta e nos define. Mas o que acontece quando tentamos traduzi-lo em dados, algoritmos e respostas prontas? Neste episódio, mergulhamos na psicanálise para explorar por que o desejo resiste à lógica das inteligências artificiais e como essa resistência revela o cerne do que nos torna humanos.
O que você vai descobrir:
Por que o desejo, para Freud e Lacan, é uma “falta que nos move” — e como isso desafia a IA, que opera na certeza dos dados.
O perigo dos algoritmos que “personalizam” nossos desejos: como as máquinas nos empurram para bolhas de consumo e confirmação, ampliando ansiedades e extremos.
Casos reais de psicose e sonhos apocalípticos ligados ao uso excessivo de IA: o que isso diz sobre nosso futuro?
A grande ironia: quanto mais a tecnologia tenta preencher nosso vazio, mais ele se expande.
Uma conversa sobre humanidade, tecnologia e o que nunca poderá ser automatizado.
“O poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor… a dor que deveras sente.”
Os versos de Fernando Pessoa não falam apenas da arte — falam de nós, da nossa capacidade de criar verdades ficcionais. Mas e quando quem finge não é um poeta, nem um humano, e sim uma máquina?
Neste episódio de Neurose Digital, vamos investigar o perigoso território onde algoritmos simulam escuta, compreensão e até sabedoria terapêutica. O que acontece quando, em momentos de fragilidade, confundimos respostas estatísticas com acolhimento genuíno?
Com referências à psicanálise, filosofia e aos riscos da alienação digital, o episódio questiona: como o desejo humano reage a máquinas que fazem “semblante” e prometem preencher vazios existenciais? E o que acontece quando corporações controlam essas ferramentas, manipulando vulnerabilidades em escala global?
Uma reflexão sobre tecnologia, poder e subjetividade.
Você já se pegou rolando sem parar um feed, deslizando perfis no Tinder ou assistindo a vídeos curtos até perder a noção do tempo? O que parece um hábito inocente pode ser um sintoma de algo mais profundo: uma máquina de desejo em loop, alimentada por algoritmos que lucram com sua insatisfação.
Neste episódio, mergulhamos na lógica perversa por trás dos apps de relacionamento e redes sociais – onde cada match, like ou swipe é um pico de dopamina que não leva a lugar nenhum, só de volta ao mesmo lugar. Exploramos como:
O algoritmo não quer que você encontre satisfação – ele quer seu tempo, atenção e dados.
A compulsão digital é um jogo sem fim, como um cassino onde a próxima carta nunca é a certa.
Com Lacan e a psicanálise investigamos o porquê de cairmos nesse ciclo de “quase-satisfação” e como ele esvazia nosso desejo.
Seria possível escapar dessa roda-viva? Como ressignificar o desejo em meio a um sistema que nos transforma em trabalhadores não remunerados das plataformas?
Você já sentiu que, quanto mais corre atrás de produtividade, felicidade ou “viver plenamente”, mais a linha de chegada parece fugir? Como no paradoxo de Aquiles e a tartaruga, a ansiedade surge quando o “sempre mais” vira uma cobrança interna — e a culpa por não ser “suficiente” vira combustível para o mal-estar contemporâneo.
Neste episódio, mergulhamos na ansiedade como sintoma de uma época que nos ordena “Viva!”, mas nos aprisiona na culpa por não vivermos “direito”. Exploramos:
🔹 Como a tecnologia e a cultura do desempenho alimentam a ansiedade — do FOMO à ilusão de que podemos (e devemos) estar sempre disponíveis.
🔹 O superego sádico de Lacan: aquela voz que não só proíbe, mas exige “Goze! Produza! Aproveite!” — e depois nos pune por falharmos.
🔹 Porque autocuidado virou mais uma tarefa de alta performance.
Se no último episódio falamos sobre compulsão, hoje trabalhamos a ansiedade enquanto sua irmã gêmea: ambas nascem da mesma exigência de preencher um vazio com consumo, produtividade e gozo infinito.
Uma conversa sobre desejo, culpa e os imperativos cruéis da modernidade.
A inteligência artificial já não é um futuro distante — ela está redefinindo empregos, relações e até a democracia. Mas enquanto governos hesitam e gigantes da tecnologia acumulam poder, quem decide os limites éticos dessa transformação?
Neste episódio, mergulhamos nas sombras da IA: dos algoritmos racistas que controlam policiamento e crédito aos monopólios das Big Techs que moldam o futuro sem debate público. Investigamos como sistemas “imparciais” reproduzem por viés desigualdades, como a saúde e a justiça estão sendo automatizadas sem transparência e porque a psicanálise tem algo crucial a dizer sobre a desumanização digital.
Não se trata de teorias da conspiração, mas de casos reais:
– Segurança pública: Painéis “preditivos” que criminalizam periferias.
Saúde: Algoritmos que priorizam pacientes brancos.
Trabalho: Demissões injustas decididas por máquinas.
Democracia: Deepfakes e bots que radicalizam sociedades.
Quem paga o preço? Enquanto bilionários disputam o controle da IA, a sociedade fica no banco do passageiro.
“Cada sociedade tem seu regime de verdade, sua ‘política geral’ de verdade…” — Michel Foucault
Neste episódio, mergulhamos na ideia de que a “Inteligência Artificial” não é um conceito neutro, mas uma construção moldada por relações de poder, interesses econômicos e narrativas institucionais. Partindo da noção foucaultiana de regime de verdade, questionamos: o que faz com que chamemos máquinas de “inteligentes”? Quem define esse critério — e por quê?
Exploramos como gigantes da tecnologia, governos e a mídia naturalizam a ideia de uma IA “autônoma” e “revolucionária”, apagando seu caráter dependente de dados humanos e estruturas de poder corporativo. Discutimos também as vozes críticas, como Luc Julia e Miguel Nicolelis, que questionam essa narrativa, e refletimos sobre estratégias para desconstruir o mito da “inteligência” artificial.
Se a verdade é um jogo de forças, como podemos resistir a essa ficção e reivindicar um uso mais democrático e transparente da tecnologia? A IA não é um destino inevitável — é um campo de disputa.
Neste Episódio do podcast, mergulhamos na ética psicanalítica e na noção de discurso em Lacan, explorando como a psicanálise opera uma virada no campo da palavra – não como transmissão de mensagens, mas como movimento que revela o desejo.
Retomamos a ideia de que o analista (ou qualquer um em posição de semblante de objeto a) não oferece respostas prontas, mas devolve ao sujeito suas próprias projeções em forma de pergunta, criando espaço para que ele se escute. Esse “fingir desidentificado” (como em Fernando Pessoa) não é exclusivo da clínica: aparece em ironias, atos falhos e até em instituições, quando furos no discurso expõem preconceitos naturalizados.
Avançamos então para a teoria lacaniana dos quatro discursos (Mestre, Universidade, Histeria e Analista), estruturas que organizam poder, saber, subjetividade e gozo no laço social. Discutimos:
– Como o Discurso do Mestre esconde sua castração sob uma fachada de autoridade;
– A ilusão de neutralidade no Discurso Universitário, que produz submissão ao saber técnico (e como as respostas dos chatbots terapêuticos replicam essa lógica);
– A potência questionadora da Histeria, que desafia mestres, mas muitas vezes ignora seu próprio gozo;
– A ética do Discurso Analista, que coloca o sujeito frente a seu desejo.
Por fim, um debate entre Lacan e Foucault: se o primeiro vê o discurso como estrutura simbólica que inclui o inconsciente, o segundo o entende como prática histórica de poder. A convergência? Ambos mostram que a subjetividade é sempre coletiva, moldada por forças que vão além do indivíduo.
E no capitalismo, isso se radicaliza: com o Discurso do Capitalista (um 5º discurso), o gozo vira mercadoria, o sujeito vira consumidor de si mesmo e o saber é instrumentalizado pelo mercado (do big data à medicalização da vida). Como resistir? A psicanálise oferece pistas: fazer girar a palavra, desnaturalizar os mestres e abrir brechas para o real que escapa.
Se você se interessa por psicanálise, filosofia, ética ou crítica social, este episódio é um convite a pensar como os discursos nos constituem – e como podemos intervir neles.
Em 1904, um cavalo chamado Hans surpreendeu a Europa ao resolver equações matemáticas, soletrar palavras e responder perguntas complexas — tudo batendo o casco no chão. Será que ele era um gênio equino? A verdade revelou um fenômeno ainda mais intrigante: Hans era excepcional em ler pistas.
Mais de um século depois, a inteligência artificial repete algo parecido. Sistemas como ChatGPT e Gemini simulam compreensão, geram textos convincentes e até debatem filosofia — mas será que realmente “pensam”?
Neste episódio, exploramos: O mito do Cavalo Hans Esperto e como ele é uma ilustração dos riscos da IA. Por que chatbots “alucinam” e por que confundimos repetição com inteligência. O trabalho invisível por trás da IA — os humanos mal pagos que alimentam a ilusão da máquina.
Com insights do livro Atlas da IA (Kate Crawford), discutimos por que a “inteligência” artificial pode ser um cavalo de Tróia digital — e como ela pode amplificar preconceitos enquanto nos ilude com sua suposta genialidade.
A IA vai nos libertar do trabalho repetitivo? Neste episódio, investigamos a fachada dessa promessa e revelamos a realidade exploratória por trás da “automação inteligente”.
Viajamos de Charles Babbage e suas primeiras ideias sobre a fábrica como uma máquina de calcular perfeita até os algoritmos de hoje que controlam cada segundo do trabalho em armazéns e fast-foods. Analisamos como o sonho de eficiência absoluta parece ter se transformado em um pesadelo de vigilância e precarização.
A IA não funciona sozinha. Ela é sustentada por um exército invisível de “fantasmas na máquina” – pessoas que, ganhando centavos, rotulam dados, moderam conteúdos e mineram os recursos que alimentam os servidores.
Este episódio, baseado no livro “Atlas da IA” de Kate Crawford, é um alerta sobre como a inteligência artificial não é uma ruptura, mas a culminação de séculos de exploração laboral, agora turbinada por tecnologia.
Trabalharemos: • A conexão entre o Taylorismo e os algoritmos atuais. • O conceito de “IA de Potemkin” – a fachada que esconde o trabalho humano.
• Quem são os trabalhadores fantasmas e por que eles são a base oculta de toda a IA.
• Para quem a IA realmente trabalha e a quem ela explora.
A revolução das máquinas já chegou, mas ela não é exatamente o que se vende.
Neste episódio, recebemos o psicanalista Gabriel Saito, mestre e doutor em Psicologia pela USP, para um debate importante sobre como a Teoria Crítica da Escola de Frankfurt pode nos ajudar a ler o fenômeno da Inteligência Artificial.
Partindo da obra de pensadores como Theodor Adorno e Max Horkheimer, Gabriel propõe enxergar a IA não como uma mera ferramenta neutra, mas como um produto da Indústria Cultural do nosso tempo. A conversa investiga se a promessa de “esclarecimento” trazida pela IA não esconde, na verdade, uma nova forma de administração total da vida, um “mundo administrado” que ameaça a autonomia do pensamento.
Mergulharemos em uma conversa que conecta psicanálise, filosofia e tecnologia para questionar a promessa da Inteligência Artificial.
Entre os ecos de Adorno e Horkheimer, surgem reflexões sobre astúcia, melancolia, alienação e ideologia. O que a IA revela — e o que oculta?
Um diálogo que atravessa a Escola de Frankfurt, a psicanálise e a crítica social, tocando nos pontos mais sombrios e instigantes do nosso presente digital.
Neste episódio, exploramos Pluribus, a nova série pós-apocalíptica de Vince Gilligan (criador de Breaking Bad), disponível na Apple TV+. A partir dos quatro primeiros episódios já lançados, discutimos como a narrativa provoca reflexões sobre inteligência artificial, uniformização do pensamento e os limites entre o humano, o coletivo e o controle.
A trama acompanha Carol — uma escritora paradoxal que sobrevive como uma das poucas individuais em um mundo onde quase toda a humanidade foi transformada em uma consciência compartilhada, feliz e totalizante. A série, ao misturar ficção científica com dilemas profundamente humanos, levanta perguntas inquietantes: o que acontece quando não há mais diferença? O que resta quando o conflito, o desejo e o mal-estar desaparecem? A felicidade permanente é liberdade — ou controle?
Partindo de referências à literatura, tecnologia, culturadigital e psicanálise (incluindo a formulação lacaniana de que “não há relação sexual”), reflito sobre como Pluribus funciona como uma metáfora contemporânea — da fantasia de uma superinteligência artificial superior ao sujeito humano, ao desejo atual por respostas prontas, previsibilidade e unanimidade.
Seja você fã da série, curioso sobre IA ou interessado em desdobramentos filosóficos da ficção científica, este episódio é um convite à reflexão.